segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão 
Pode até ficar maluco 
Ou morrer na solidão    
É preciso ter cuidado 
Pra mais tarde não sofrer,
 
É preciso saber viver.
 
Toda pedra no caminho
Você deve retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher,
 
É preciso saber viver.
 
É PRECISO SABER VIVER
É PRECISO SABER VIVER
É PRECISO SABER VIVER
É PRECISO SABER VIVER
SABER VIVER

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Não chore mais - Gilberto Gil

Bem que eu me lembro
Da gente sentado ali
Na grama do aterro, sob o Sol
Ob-observando hipócritas
Disfarçados, rodando ao redor

Amigos presos
Amigos sumindo assim
Pra nunca mais...
Tais recordações
Retratos do mal em si
Melhor
é deixar prá trás

Não, não chore mais
Não, não chore mais

Bem que eu me lembro
Da gente sentado ali
Na grama do aterro, sob o céu
Ob-observando estrelas
Junto à fogueirinha de papel
Quentar o frio
Requentar o pão
E comer com você
Os pés, de manhã, pisar o chão
Eu sei a barra de viver
Mas se Deus quiser
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé

Não, não chore mais
Não, não chore mais


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Meus Oito Anos - Casimiro de Abreu (Poesia publicada originalmente no livro intitulado “As Primaveras”, publicado em 1859).

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !


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A gente pode

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.

Tudo bem.

O que a gente não pode mesmo nunca, de jeito nenhum, é amar mais ou menos, é sonhar mais ou menos, é ser amigo mais ou menos, é namorar mais ou menos, é ter fé mais ou menos, é acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

Chico Xavier.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Colcha de Retalhos - Oração

Senhor,

Outro dia fiz uma colcha de retalhos. Todos os restinhos de pano que guardei iam servir. Ao pegar cada pedaço recordava-me de pessoas, acontecimentos. Como se cada um tivesse a sua história para contar.

Fui costurar. Cores que à primeira vista não combinavam, padrões de desenho totalmente diferentes. Nenhum é igual ao outro. Nada de repetição, de monotonia. E não são diferentes, só fisicamente.

Ninguém é igual ao outro. Todos pensam diferente, sentem diferente, agem diferente. Um completa o outro. Um apóia o outro.

Que maravilha, Senhor, é a sua colcha de tantos seres diferentes, formando a humanidade.

Porque quero que todos sejam iguais? Pensem igual? Sintam igual? Eu sou um pedacinho do grande conjunto. Embelezo sua criação de um determinado modo. Outros realçam outras cores, outros padrões.

Importante é querer ser costurado nos outros retalhos e não ficar isolado. Todos juntos na procura da união e da fraternidade. Cada um do seu modo, formando a grande colcha da unidade na pluriformidade.

Obrigada, Senhor.


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